A partir de hoje traremos periodicamente alguns conselhos de quem sabe muito sobre Judô.
A primeira série trará, ao longo desta e das próximas semanas, 14 conselhos do shihan Yamashita Yoshiaki, o primeiro 10º Dan em Judô Kodokan, filho de um legítimo samurai e 19º aluno de Jigoro Kano.
As Instruções foram traduzidas a partir da citação a elas feitas no livro Judo Heart and Soul, de Hayward Nishioka.
Tradução livre de nossa autoria e aceitamos gratos correções para melhorar o entendimento. Eis os primeiros cinco itens:
1. Estude o modo correto de executar os arremessos. Arremessar usando força bruta não é o modo correto de vencer no Judô. O ponto mais importante é vencer com técnica.
2. Primeiro aprenda a atacar e você verá que a defesa está incluída no ataque. Você não fará progresso aprendendo a defender em primeiro lugar.
3. Não desgoste de cair. Aprenda o “timing” do arremesso enquanto você estiver sendo arremessado.
4. Pratique os arremessos movimentando seu corpo tão livremente quanto possível em todas as direções. Não se acostume ou se dedique exclusivamente para um lado. Uma grande quantidade de repetições em arremessos será recompensada com um bom arremesso.
5. Incremente o número de práticas e combates. Você não fará progresso sem prática acumulada.
Abaixo um link para um excelente trabalho científico para os que gostam de estudar o Judô.
Estamos abertos ao diálogo sobre o trabalho.
Leia o resumo
"O Judô é um desporto Olímpico que, tradicionalmente, traz medalhas neste evento para o Brasil. Através de uma análise de documentos sobre a produção das mídias, internet e transmissões da televisão durante os eventos: 1) Olimpíadas 2004 e 2) Mundial de Judô 2005, buscou-se compreender: a) o quanto é representativa a participação brasileira em relação ao total de medalhas distribuídas nestes eventos e, b) o comportamento das mídias em relação à participação dos atletas brasileiros. Pode-se considerar que, apesar das medalhas conquistadas, há pouca evolução no desempenho da delegação brasileira e exageros por parte da “falação Midiática”."
Assistam ao trailer de um documentário sobre o campeão brasileiro Rogério Sampaio, cujo vídeo na íntegra ou DVD para aquisição pessoal estamos procurando.
O itsutsu no kata foi o último kata de Judô idealizado pelo shihan Jigoro Kano. Ele foi incluído como parte do Kodokan Kata em 1887, pelo próprio Dr Kano, partindo neste ano de uma revisão e adequação que teria feito do Itsutsu no Kata do Tenjin Shinyoryu Jujitsu School. Este kata que restou com cinco formas teria outros movimentos incluídos conforme a intenção inicial do shihan. Contudo, faleceu o Dr Kano sem incluí-las formalmente. Daí o dizer-se que restou “inacabado”. Este kata foi ensinado como “okuden”, a última habilidade a ser ensinada e diretamente pelo mestre da escola em caráter individual ao aluno.
A interpretação de cada movimento:
1. Ippon Me – Oshikaeshi - Pressão contínua – concentração da energia (força)
2. Nihhon Me – Eige - "Draw Drop" – sem resistência
3. Sanbon Me – Tomowakare - Separação – força centrífuga e centrípeta
4. Yonhon Me – Roin - Arrastamento da maré – lei do pêndulo
5. Gohon Me – Settsuka no wakare - Separação imediata – lei da inércia
Ippon me - Demonstra que um ataque racional e contínuo trará a derrota até mesmo contra um grande e poderoso oponente.
Nihon me - Demonstra o princípio de usar a força do ataque do oponente contra ele mesmo.
Sanbon me - Demonstra o princípio do redemoinho onde o círculo interno controla o círculo externo.
Yonhon me - Demonstra o princípio da força das marés: a maré vai puxar tudo que estiver na costa para dentro do mar, não importa qual o tamanho.
Gohon me - Demonstra o princípio: quando energias ilimitadas colidam uma com a outra, uma deve ceder para evitar que ambas sejam destruídas.
As raízes de cada movimento:
1 – IPPON ME – JIZO DAOSHI (DERRUBAR O ÍDOLO DE PEDRA)
Em alguns templos japoneses existe na entrada um ídolo de pedra representando uma figura humana em pé, mão direita aberta e esticada como se estivesse pedindo uma esmola e na mão esquerda um bácoro.
JIZO DAOSHBI significa “derrubar o ídolo”. A pessoa na frente do ídolo coloca a mão direita espalmada em seu peito e começa a empurrá-lo para trás, para derrubá-lo. O ídolo cambaleia lateralmente e para trás, e a pessoa, por isto, muda a posição da mão e insiste até que o ídolo caia de costas.
O ídolo, resistindo ao impulso, acaba caindo.
2 – NIHON ME – HIKI OTOSHI (DERRUBAR PUXANDO)
HIKI OTOSHI significa “evitar a força”. A pessoa é atacada por alguém que, com um punhal, tenta estocá-la na barriga. Quando o atacante estica a mão, o atacado sai da frente, ajoelhando o joelho esquerdo no solo, pega o braço direito do atacante pelo pulso e na altura do cotovelo e, aproveitando seu impulso e evitando sua força, o desloca lateralmente até que ele caia no solo.
O atacado, não resistindo à força do atacante, acaba por derrubá-lo.
3 - SANBON ME – TO BI (FORÇAS CENTRÍFUGA E CENTRÍPETA) ou MIKU DAKI (MOINHO D'ÁGUA)
TO BI significa “forcas centrífuga e centrípeta”. Os dois começam a girar, um em torno do outro, como se fossem planetas. Por ação da força centrípeta os dois vão se aproximando até que se tocam, pelos punhos. Continuando a girar, um deles deixa-se cair na frente do outro que por ação da força centrífuga passa por cima dele, indo cair na sua frente.
Se um deles não ceder para ganhar, os dois continuarão a girar indefinidamente numa velocidade cada vez maior
4 – YONBON ME – NAMI (ONDA)
NAMI significa “onda”. Um fica em pé, de costas para o outro, representando uma rocha. O outro. representando o mar, fica de lado para o primeiro e fazendo movimentos de círculo com as mãos, imitando o movimento das ondas, aproxima-se dele levantando as mãos à medida em que anda .Com as mãos, imita o movimento de uma onda que, aproximando-se de uma rocha, vai varrê-la com seu impulso. A onda ultrapassa a rocha e depois lentamente reflui levando tudo que encontra pela frente, inclusive a rocha. A rocha, tentando resistir à força da onda, acaba sendo levada para dentro do mar.
5 – GOHON ME – IWA (ROCHA OU EVITAR O CHOQUE)
IWA significa “rocha” e a técnica tem por finalidade demonstrar a eficiência de ser evitado um choque.
Os dois ficam afastados, com um lado voltado para o outro, e subitamente correm um contra o outro. Quando estão perto e o choque vai se dar, com os dois sofrendo as consequências, um deles deixa-se cair no solo e o outro, por ação de seu impulso, passa por cima dele. Desta forma, nenhum dos dois fica prejudicado.
Como não houve o choque, ambos saíram ganhando.
Jigoro Kano acreditava que existem cinco princípios essenciais comuns ao Judô e à todas as artes marciais. Ele sintetizou todos os ensinamentos de Judo para o número mínimo de princípios necessários para explicá-lo. Desde que esses princípios se destinam a ser universais, eles são equiparados com os movimentos naturais encontrados no universo, como uma onda no oceano ou uma hidromassagem. Este kata aplica os fenômenos naturais observados à base teórica de ataque e defesa .
O Itsutsu no Kata é um kata "interior" que dramatiza um homem em seu caminho rumo à verdade, que reúne os elementos da natureza e se harmoniza com eles.
Observe os vídeos abaixo e procure identificar cada momento e seu significado.
O kata em sua forma exata:
O kata em uma variação apresentada pelo grande Mifune:
A história do Judô é rica de fatos que se conhecidos reavivam a rica tradição de que dispomos e que muitas vezes relegamos ao esquecimento. As origens do Judô merecem ser estudadas para que não deixemos passar a essência do Caminho Suave.